
O entorno da Praça Barão do Rio Branco, na zona oeste de Belém, abriga um dos endereços mais movimentados da política paraense. No casarão azul e amarelo de esquina funciona a sede estadual do União Brasil, ao lado de restaurantes, escritórios e serviços diversos. O que não era de conhecimento público, porém, é que o imóvel utilizado pelo partido pertence ao próprio presidente estadual da sigla no Pará, o ministro do Turismo de Lula, Celso Sabino.
Levantamento feito pelo UOL, com base em contratos e comprovantes de depósitos enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que Sabino aparece dos dois lados do acordo: como dirigente partidário que assinou o contrato e como proprietário do imóvel, por meio da empresa Capital Real Imóveis. Entre março de 2022 e dezembro de 2024, o União Brasil pagou R$ 244,7 mil à empresa do ministro pela locação do espaço.
O contrato original foi firmado em dezembro de 2021, quando Sabino ainda comandava o PSL no Pará. A sigla se fundiu ao DEM no ano seguinte, criando o União Brasil, que manteve o acordo sem alterações substanciais — inclusive a cláusula que determina que “os valores correspondentes ao aluguel devem ser depositados diretamente na conta da Capital Real Imóveis”.
Hoje, segundo o UOL, o diretório nacional do União Brasil paga R$ 9.490,50 por mês à empresa do ministro. Os recursos utilizados para arcar com a despesa têm origem majoritária nos fundos eleitoral e partidário, que abastecem os cofres da legenda.
Sabino afirmou à reportagem que a decisão de alugar o imóvel foi “colegiada”, tomada pelo diretório estadual, e classificou a negociação como vantajosa para a sigla. Ele também declarou que o valor está abaixo do praticado pelo mercado imobiliário da região.
Apesar disso, a própria empresa do ministro ampliou sua presença no local. Em setembro deste ano, a Capital Real Imóveis comprou por R$ 380 mil a casa vizinha ao diretório, consolidando seu controle sobre os imóveis utilizados pelo partido.
O União Brasil ainda não declarou ao TSE a maior parte das despesas referentes a 2025, o que impede uma visualização completa dos pagamentos recentes. Ainda assim, os registros já disponíveis mostram que a relação financeira entre o partido e o ministro se estendeu por pelo menos três anos, com pagamentos contínuos e crescentes.