
O Blog segue com a série de entrevistas com figuras importantes da política de Pernambuco. O entrevistado de hoje é o presidente da Câmara de Caruaru, Bruno Lambreta (PSDB), que fez uma avaliação da gestão dele a frente da Casa, ausência de liderança do governo, relação com o Executivo e planos para 2022. Ele também falou sobre a possibilidade de Raquel Lyra (PSDB), disputar o governo e Rodrigo Pinheiro assumir prefeitura. Segue a íntegra da entrevista com fotos de Vladimir Barreto.
Blog do MF – Oposição e situação vem travando discussões sobre temas difíceis na Câmara. Como você avalia esses debates?
Bruno – Eu acho normal o papel da oposição do Parlamento. Acredito que os debates são intensos como não poderia ser diferente. Acho normal, tranquilo esse embate entre oposição e situação.
Blog do MF – Mas por ser governista e apoiado na sua eleição diretamente pela prefeita Raquel Lyra, como manter a isonomia diante de dois lados tão desiguais, já que a base do governo conta com 19 vereadores e a oposição apenas com 4?
Bruno – Tenho uma responsabilidade muito grande. Fui conduzido à presidência pela maioria dos vereadores e vereadoras, é uma grande responsabilidade. Faço parte da base e isso para mim também é muito tranquilo. Agora cumpro o meu papel de conduzir os trabalhos e antes e acima de tudo, respeitar a nossa Lei Orgânica e o nosso Regimento Interno.
Blog do MF – Mas ainda existe uma crítica na sociedade que a Casa é um puxadinho do Executivo. É mesmo?

Bruno – Sobre essa discussão que a casa um Puxadinho da prefeitura não vejo dessa forma. A casa quando tem de ser crítica é. A base você constroi com apoio nas ações, dos compromissos assumidos pela pela gestão e que se tornam realidade. E mesmo sendo da base existe um senso crítico, a base tem um poder de cobrança também muito forte, então não vejo a Câmara como puxadinho. São poderes independentes, porém, pode muito bem conviver harmonicamente porque o interesse principal é o bem da população.
Blog do MF – Mas quase um ano de governo sem um líder de bancada. É normal isso?
Bruno – Eu sei da importância da liderança, mas isso é uma avaliação que a prefeita tem junto com sua equipe e nós temos uma base muito ampla, todos têm a capacidade de exercer um papel de liderança. Essa avaliação de propor o líder é da prefeita e a gente respeita. Se por acaso ela mudar de posição com relação a isso, os 19 da base hoje têm totais condições de exercer a liderança.
Blog do MF – Então, além da presidência, você acumula a função extraoficialmente de líder?
Bruno – Não não exerço a função de liderança. Tive a honra de de ter essa responsabilidade em 2019 e 2020 a pedido da prefeita e junto aos meus pares na legislatura passada. A gente teve um momento muito especial para mim, mas hoje não. Tenho a responsabilidade de estar na presidência junto com os outros membros da mesa e faço parte da base governo, mas não exerço esse papel de liderança extraoficial.
Blog do MF – O vereador é o político mais próximo da população. Mas existe uma máxima que quem exerce essa função trabalha pouco. O que você diz a quem pensa assim?

Bruno – Eu acho que o papel do vereador e da vereadora enquanto político é muito importante. Somos os políticos mais próximos e os que a população têm condições de ter mais acesso. Acho que cada um tem suas características, personalidades, maneira de atuar, trabalhar etc. Discordo de quem acha que vereador trabalha pouco. Vereadores vereadores fazemos um grande trabalho, é só você acompanhar o dia-a-dia deles e e o próprio ritmo da Câmara municipal, trabalhamos e muito.
Blog do MF – O nome da prefeita Raquel Lyra vem sendo apresentado como provável candidata ao governo de Pernambuco. Como você avalia essa possibilidade?
Bruno – Eu acredito que ela tem todas as condições não só desse cargo como outras funções políticas. Se se isso vier acontecer eu acho que vai ser muito importante para o estado. Raquel é uma pessoa muito preparada, sintonizada com o que acontece no nosso estado, sabe das dificuldades. Com esse movimento Levantar Pernambuco ela está tendo oportunidade de viajar a todas regiões do estado a sentir o sentimento da população. Se isso vier acontecer ela tem totais condições de exercer esse cargo, muita capacidade administrativa seria muito bom para Pernambuco.
Blog do MF – Mas se dependesse da sua vontade ela entraria na disputa?
Bruno – Se dependesse de mim, claro que sim. Concordo que ela entre na disputa por toda a capacidade que tem. Será um um novo rumo para a reconstrução do estado. Estamos precisando, Pernambuco precisa voltar a ter o protagonismo que já teve em outros tempos e Raquel tem totais condições para fazer isso.
Blog do MF – A oposição critica as viagens de Raquel. Afirmam que ela deixou a cidade abandonada para cuidar da candidatura. Existe isso mesmo?
Bruno – Eu discordo desse posicionamento da oposição. Os eventos têm acontecido durante o fim de semana, já na parte da tarde da sexta-feira. Tem toda a equipe que proporciona a possibilidade de acontecer essas viagens. Mesmo durante esses encontros a máquina está funcionando, o trabalho sendo tocando. Vejo nessas viagens um compromisso de uma líder em ter a oportunidade também de trazer experiências dos municípios do estado.
Blog do MF – Mas não é muita viagem?
Bruno – E não acho que seja muita viagem. Você tem hoje os mecanismos necessários para aproveitar e trazer benefícios para a cidade. Essas viagens internacionais, por exemplo, as experiências que Raquel está tendo, como também as idas em ações em São Paulo, Brasília, inclusive em busca de recursos. Raquel conseguiu experiência e conhecimento no exterior para trazer novas possibilidades para o nosso município. Vejo isso com tranquiladade, você buscar conhecimento sempre é bom.
Blog do MF – Se Raquel sair do governo ela deixará Rodrigo Pinheiro na gestão. Ele tem condições de assumir a prefeitura?

Bruno – Eu acredito que sim, afinal Rodrigo está no cargo de vice-prefeito e foi reconduzido junto com Raquel e tudo isso tem a ver com uma relação de confiança e de compromisso, Vejo as condições necessárias para ele assumir, a máquina está muito ajustada, equipe sintonizada e ele está acompanhando a gestão ao longo desses cinco anos, Se Raquel for mesmo disputar vejo com naturalidade ele assumir e vai contar com o apoio de todos.
Blog do MF – Muitos vereadores reclamam do trato que alguns secretários dão aos representantes do povo. O que precisa fazer para melhorar essa situação?
Bruno -Essa relação em alguns casos existem dificuldades de relacionamento e sempre aparecem algumas críticas no trato que o vereador recebe. Crítica quando é construtiva precisa ser bem recepcionada. Se vem ocorrendo essas dificuldades, eu acho que realmente é importante que melhorem essa relação.
Blog do MF – Mas então porque alguns são mais solícitos que os outros?
Bruno – Acredito que pelo perfil de cada um também com relação da própria secretaria, já que umas têm uma demanda maior que as outras e existe uma procura de serviços maior por parte dos vereadores e vereadoras. Eu acho que toda crítica quando é feita, precisa de uma avaliação, porque o secretário tem uma demanda grande também, mas eles precisam entender que quando um vereador ou vereadora vai à procura de uma secretaria não está indo sozinho, está indo pela representação dada pela população.
Blog do MF – Você vai para a reeleição da presidência da Câmara ano que vem?
Bruno – Essa discussão sobre 2022 a gente vai chegar o momento de debater. Temos um compromisso junto com todos os colegas vereadores vereadoras, são muitos desafios e temos que ter uma condição tranquila e no final de 2022 a gente discute sobre essa questão. Atualmente temos que priorizar a sintonia com os servidores e servidores da casa também manter a boa relação com os vereadores e vereadoras, a questão da nova sede e outros projetos importantes.