
A Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI) voltou ao centro de uma crise institucional nesta sexta-feira (30). Pouco tempo após a demissão do então presidente Antônio Carlos Reinaux, o novo dirigente da autarquia, o advogado Yuri Coriolano, também deixou o cargo após a divulgação de mensagens com teor racista e misógino atribuídas a ele.
Reportagem publicada pelo portal de notícias Vero revelou mensagens trocadas por Yuri Coriolano em 2012, quando ainda era estudante de Direito, em conversas por e-mail com colegas de faculdade. Entre os trechos divulgados, há declarações de teor racista, como a afirmação de que “preto é a praga da humanidade”, além de comentários misóginos feitos às vésperas do Dia Internacional da Mulher. Em uma das mensagens, o então estudante afirmou que o único direito das mulheres seria o de “copular com ou sem camisinha”.
Diante da repercussão, Yuri Coriolano, que havia sido nomeado recentemente pela governadora Raquel Lyra (PSD) para presidir a EPTI, decidiu entregar o cargo. A exoneração deve ser publicada no Diário Oficial do Estado deste sábado (31). Até o momento, o Governo de Pernambuco não informou quem assumirá a presidência da empresa.
A nova crise ocorre pouco depois da saída de Antônio Carlos Reinaux do comando da EPTI. O ex-presidente deixou o cargo após denúncias ganharem repercussão pública envolvendo a atuação da empresa de ônibus Logo Caruaruense, pertencente ao pai da governadora, o ex-governador João Lyra (PSD). Segundo as denúncias, a empresa teria operado de forma irregular no sistema de transporte intermunicipal nos últimos três anos.
Com duas mudanças consecutivas na presidência em curto espaço de tempo, a EPTI enfrenta instabilidade administrativa e pressão política, em meio a questionamentos sobre a gestão do transporte intermunicipal em Pernambuco e os critérios adotados para a ocupação de cargos estratégicos no governo estadual.
