Escalada de tensão: ataque dos EUA à Venezuela provoca reações internacionais

Mário Flávio - 03.01.2026 às 08:58h

Após o que o governo venezuelano classificou como um ataque militar dos Estados Unidos contra seu território, a crise ganhou dimensão internacional e passou a mobilizar governos e líderes de diferentes regiões do mundo. O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou ações militares em Caracas e afirmou que o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa teriam sido capturados, declaração que ampliou ainda mais a tensão diplomática e geopolítica.

A acusação de “agressão armada” feita por Caracas gerou manifestações imediatas na América Latina e fora dela. Um dos primeiros a reagir foi o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que usou as redes sociais para alertar a comunidade internacional. “Alerta para o mundo inteiro: atacaram a Venezuela. Estão bombardeando Caracas com mísseis. A OEA e a ONU devem se reunir imediatamente”, escreveu.

Em comunicado oficial, o governo venezuelano convocou todas as forças sociais e políticas do país a se mobilizarem contra o que classificou como um ataque imperialista. Segundo a nota, “o povo da Venezuela e sua Força Armada Nacional Bolivariana, em perfeita fusão popular-militar-policial, estão mobilizados para garantir a soberania e a paz”.

Reação internacional

A repercussão ultrapassou rapidamente as fronteiras do continente.

Cuba

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, condenou duramente a ação dos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Cuba exige uma reação urgente da comunidade internacional contra o que chamou de “ataque criminoso”. Para ele, trata-se de “terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a Nossa América”.

Chile

O presidente chileno, Gabriel Boric, manifestou profunda preocupação e condenou as ações militares norte-americanas. Em declaração oficial, o governo do Chile fez um apelo enfático por uma saída pacífica, reforçando o compromisso com o Direito Internacional, a não intervenção, a resolução pacífica de conflitos e o respeito à integridade territorial dos Estados. Boric destacou que a crise venezuelana só pode ser resolvida por meio do diálogo, do multilateralismo e da cooperação internacional.

Irã

Aliado político de Caracas, o Irã classificou o suposto ataque como uma “violação flagrante da soberania nacional e da integridade territorial” da Venezuela. O Ministério das Relações Exteriores iraniano pediu que o Conselho de Segurança da ONU aja imediatamente para interromper o que chamou de agressão ilegal e responsabilizar os envolvidos.

Rússia

A Rússia também condenou o que definiu como um “ato de agressão armada” dos Estados Unidos. Em nota, o governo russo disse estar profundamente preocupado com a situação e alertou para o risco de escalada do conflito, defendendo que os esforços internacionais se concentrem na busca de uma solução por meio do diálogo.

Alemanha

O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha informou que acompanha os acontecimentos com grande preocupação. Segundo comunicado, o governo alemão mantém contato próximo com sua embaixada em Caracas e deve reunir uma equipe de crise para avaliar o cenário.

Espanha

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a Espanha acompanha de forma rigorosa os desdobramentos na Venezuela. Ele garantiu que a embaixada e os consulados estão totalmente operacionais para prestar assistência aos cidadãos espanhóis e fez um apelo à desescalada e ao respeito ao Direito Internacional e à Carta das Nações Unidas.

Itália

O ministro das Relações Exteriores da Itália declarou que o país monitora a situação com atenção especial à comunidade italiana residente na Venezuela. Segundo ele, a primeira-ministra Giorgia Meloni está sendo informada continuamente sobre os desdobramentos da crise.

Argentina

Na contramão da maioria das manifestações, o presidente da Argentina, Javier Milei, reagiu de forma sucinta e simbólica. Ao repostar uma notícia que afirma que Donald Trump teria confirmado a captura e retirada de Nicolás Maduro do país, Milei escreveu: “A liberdade avança. Viva a liberdade, carajo”.

O cenário permanece em rápida evolução e eleva o nível de alerta internacional, com crescentes apelos por mediação diplomática e pela atuação de organismos multilaterais diante do risco de um conflito de maiores proporções na região.