Ex-dirigentes do INSS negociam delação e citam Lulinha e nomes do Centrão

Mário Flávio - 25.02.2026 às 15:57h

Dois ex-integrantes da cúpula do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) avançaram em negociações de delação premiada no âmbito das investigações sobre fraudes em descontos aplicados a aposentadorias. Segundo reportagem do portal Metrópoles, o ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis teriam citado o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de políticos ligados ao chamado Centrão.

De acordo com a apuração, os dois ex-dirigentes estão presos desde 13 de novembro. As investigações apontam que Virgílio Filho teria recebido R$ 11,9 milhões de empresas vinculadas a entidades responsáveis por descontos considerados ilegais nos benefícios de aposentados. Parte dos valores — cerca de R$ 7,5 milhões — teria origem em empresas ligadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os repasses, segundo a Polícia Federal, teriam sido destinados a empresas e contas em nome da esposa do ex-procurador.

Já André Fidelis é suspeito de ter recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024, conforme as investigações. O filho dele, Eric Fidelis, também foi preso no curso da operação.

A reportagem aponta ainda que entre os nomes mencionados pelos delatores estaria o da ex-ministra Flávia Arruda (à época Flávia Péres), que comandou a Secretaria de Relações Institucionais no governo Jair Bolsonaro. Ela nega qualquer envolvimento com o esquema. Flávia é casada com o economista Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro.

Em nota enviada à coluna do Metrópoles nesta quarta-feira (25), a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele “não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”. Segundo os advogados, esta é a primeira manifestação formal dele sobre o caso.

Por outro lado, a advogada Izabella Borges, que representa Virgílio Oliveira Filho, negou que haja delação premiada em andamento. A defesa de André Fidelis ainda não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.

O empresário conhecido como Careca do INSS também estaria avaliando apresentar proposta de colaboração premiada, movimento que ganhou força após familiares dele passarem a ser alvo das investigações.

O caso segue sob apuração da Polícia Federal e pode ter novos desdobramentos a partir da eventual formalização dos acordos de delação.