Federação PRD–Solidariedade abre caminho para candidatura avulsa de Marília Arraes ao Senado

Mário Flávio - 08.12.2025 às 17:12h

A formação da federação entre o PRD e o Solidariedade (SD) redesenhou o tabuleiro político em Pernambuco e colocou a ex-deputada federal Marília Arraes (SD) no centro das articulações para 2026. Homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a nova federação reúne 10 deputados federais em nível nacional — sendo uma deputada federal e dois estaduais em Pernambuco — e passa a atuar sob comando compartilhado entre Marília e o presidente estadual do PRD, Josafá Almeida, que também é prefeito de São Caetano.

Os dirigentes das duas legendas afirmam que Marília Arraes poderá disputar o Senado de forma avulsa, caso a composição da Frente Popular não avance como esperado. No entanto, ambos reforçam que a prioridade é que ela integre a chapa majoritária do prefeito do Recife e pré-candidato ao governo, João Campos (PSB).
“Trabalho para ser candidata com João Campos, mas não descarto a possibilidade de uma candidatura avulsa, apoiando João e ser mais uma candidata do presidente Lula. A aliança em Pernambuco já está definida”, afirmou Marília ao Blog Dantas Barreto, nesta segunda-feira (8).

Josafá Almeida segue a mesma linha e diz que o cenário favorece a entrada de Marília na chapa governista. “O momento hoje é muito bom para Marília, tanto que figura na liderança em todas as pesquisas. Então, quem não quer ela na chapa?”, declarou também ao blog do Dantas. Segundo o dirigente, mesmo com Miguel Coelho presidindo o União Brasil em Pernambuco, o comando da federação União Progressista — que une PP e União Brasil — está alinhado ao PP, sob forte influência do ministro Silvio Costa Filho. Ainda assim, Josafá avalia que Marília possui uma vantagem eleitoral expressiva: “Silvio Costa Filho tem a simpatia do presidente Lula, mas Marília tem três vezes mais votos, como mostram as pesquisas”.

A divisão de responsabilidades dentro da federação PRD–SD também já está definida. Josafá fica encarregado da montagem da chapa de deputados federais, enquanto Marília concentra esforços na pré-candidatura ao Senado. Para superar a cláusula de barreira, o bloco precisa eleger ao menos 11 deputados federais em 2026.

Outro movimento estratégico envolverá o deputado federal Luciano Bivar, que deve deixar o União Brasil e migrar para o PRD durante a janela partidária de março de 2026. A expectativa, segundo Josafá, é pela reeleição de Bivar — embora o parlamentar também seja cotado para ocupar a primeira suplência de Marília, caso ela dispute o Senado.

Em contato com o Blog do Dantas, Luciano Bivar afirmou que defenderá a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), caso a Federação União Progressista — da qual ainda faz parte — feche aliança com João Campos. O deputado também voltou a destacar que vê como possível a candidatura avulsa de Marília ao Senado, mesmo com o esforço das legendas para consolidar uma composição conjunta na Frente Popular. A conferir.