Federação União Progressistas vira peça-chave na disputa pelo tempo de rádio e TV em Pernambuco

Mário Flávio - 10.01.2026 às 12:07h

Com a chegada do ano eleitoral, os bastidores da política pernambucana começam a se movimentar para além das alianças individuais com prefeitos, deputados e senadores. Um dos pontos centrais das estratégias de campanha passa, mais uma vez, pelo tempo de propaganda no rádio e na televisão, fator que segue decisivo na disputa pelo voto, mesmo diante do crescimento das redes sociais e das plataformas digitais.

Embora a pré-campanha seja fortemente influenciada pelo ambiente virtual, é no horário eleitoral gratuito e nas inserções partidárias que os principais projetos e candidaturas ganham escala e capilaridade. Nesse contexto, os cálculos sobre o tempo de TV já mobilizam os observadores do cenário político estadual. Pelas contas iniciais, considerando os partidos que hoje orbitam em torno da governadora Raquel Lyra e do prefeito do Recife, João Campos, ambos teriam tempos semelhantes de exposição, com leve vantagem para o prefeito da capital.

Enquanto a Justiça Eleitoral não oficializa a divisão do tempo, as articulações seguem baseadas no número de deputados federais eleitos por cada legenda ou federação em 2022. Atualmente, o palanque de Raquel Lyra contaria com a Federação União Progressistas, que reúne 106 deputados federais, além do PSD (44), Podemos (15) e Avante (7), totalizando 172 parlamentares. Já João Campos soma, hoje, a Federação PT/PV/PCdoB (72), Republicanos (42), MDB (42), PDT (18) e PSB (14), alcançando 188 deputados.

É nesse cenário que a Federação União Progressistas assume papel estratégico. Com a maior bancada entre as federações e partidos citados, ela se consolida como peça-chave na definição do tempo de rádio e TV, funcionando como um verdadeiro pilar de sustentação para qualquer projeto majoritário. Fora dessas contas, apenas o PL, com 99 deputados, aparece como força relevante e potencial “fiel da balança” na disputa pelo tempo de mídia.

Outro detalhe importante é que a legislação eleitoral permite o uso de, no máximo, cinco partidos ou federações para o cálculo do tempo de propaganda. Nesse ponto, João Campos já atinge esse limite, enquanto Raquel Lyra, mantendo a configuração atual, ainda precisaria agregar mais uma legenda para completar o número necessário e otimizar sua presença no guia eleitoral.

Para o deputado federal Eduardo da Fonte, liderança central da Federação União Progressistas, a televisão e o rádio continuam sendo os principais canais de comunicação em campanhas eleitorais. Ele relativiza o peso das redes sociais e argumenta que, se elas fossem tão decisivas quanto se propaga, concentrariam os grandes investimentos publicitários do setor privado, o que não ocorre. Na avaliação dele, a real força dos candidatos a governador só ficará clara quando houver definição formal das alianças partidárias.

Eduardo da Fonte também chama atenção para três datas fundamentais do calendário eleitoral deste ano: 4 de abril, quando se encerra a janela partidária para mudança de legenda; 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias; e 4 de outubro, data do primeiro turno da eleição. Até lá, a Federação União Progressistas tende a permanecer no centro das articulações, influenciando de forma direta o tempo de rádio e TV e, consequentemente, o desenho final da disputa em Pernambuco.