O ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto (Podemos) se reuniu nesta terça-feira (24), em Brasília, com o senador Flávio Bolsonaro (PL), em um movimento interpretado nos bastidores como resposta direta às críticas feitas pelo presidente estadual do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira.
O encontro ocorreu em meio ao acirramento de tensões internas no campo bolsonarista no Estado. Anderson havia acusado Gilson de prejudicar o projeto político do senador, que é apontado como pré-candidato à Presidência da República, após a circulação de panfletos com a imagem de Flávio Bolsonaro — iniciativa vista por integrantes do PL como ação isolada e potencialmente problemática no contexto eleitoral.
A controvérsia ganhou repercussão nacional depois que o deputado federal Lindbergh Farias (PT) informou ter acionado a Justiça Eleitoral, alegando possível propaganda antecipada.
“A gente tem uma longa história”, diz Flávio
Diante das declarações de Anderson, Gilson buscou o encontro com Flávio Bolsonaro para reafirmar alinhamento político. “A gente tem uma longa história”, afirmou o ex-ministro. O senador, por sua vez, sinalizou apoio: “Gilson é uma pessoa que anda do nosso lado. Teremos uma batalha difícil esse ano”, declarou.
Gilson também rebateu as críticas relacionadas à sua saída do PL e filiação ao Podemos. Segundo ele, a mudança partidária foi previamente alinhada com a família Bolsonaro. “A minha ida ao Podemos só se deu porque foi muito bem acordada, pensada, alinhada e, sobretudo, teve o aval da família Bolsonaro. Eu nunca faria algo que pudesse prejudicá-los. Estão espalhando fake news e tentando criar uma narrativa feita para me difamar”, afirmou.
Troca de críticas públicas
As declarações de Anderson Ferreira ocorreram em Petrolina, durante ato de filiação de aliados ao PL. Em entrevista, o dirigente afirmou que Gilson não teria legitimidade para falar em nome do partido após deixar a legenda.
“Gilson não tem a propriedade de falar em nome do PL, até porque ele é um desertor. Ele foi para um partido, o Podemos, que é ligado ao ministério de Lula e com deputados que apoiam Lula. Gilson vai fazer lá movimentos para eleger deputados que votam em Lula. Portanto, não tem propriedade para falar da direita em Pernambuco, especialmente do nosso partido”, disparou Anderson.
O presidente do PL-PE também afirmou que o ex-ministro teria recuado de uma eventual disputa ao Senado e criticou a estratégia adotada na eleição municipal do Recife em 2024, classificando como equivocada a candidatura de Gilson à Prefeitura.
Nos bastidores, aliados do ex-ministro avaliam que a reunião com Flávio Bolsonaro serviu como um “recado político” e um gesto de força, indicando que Gilson mantém trânsito direto com a cúpula nacional do bolsonarismo, mesmo após deixar o PL. O episódio evidencia a disputa por protagonismo no campo conservador em Pernambuco, que já começa a se movimentar de olho nas eleições de 2026.

