
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), decidiu não participar da sessão que marca a reabertura do ano legislativo de 2026 na Câmara de Vereadores. A ausência chamou atenção por ocorrer em um momento politicamente simbólico, já que esta seria, em tese, a última oportunidade para o socialista apresentar um balanço presencial da gestão antes de deixar o cargo, em abril, para disputar o Governo de Pernambuco.
De acordo com o líder do Governo na Casa, vereador Samuel Salazar (MDB), João Campos cumpre agenda em Brasília, onde participa de uma reunião com o ministro das Cidades, Renan Filho. A representação do Executivo municipal na sessão ficará a cargo do secretário de Planejamento, Jorge Vieira.
Ao comentar a ausência do prefeito, o líder do governo afirmou que a prioridade, neste momento, é a defesa dos interesses do Recife. Segundo ele, a ida do gestor à capital federal se justifica pela busca de recursos e tratativas consideradas estratégicas para a cidade. O vereador ressaltou ainda que a sessão desta segunda-feira tem caráter solene e não marca o início de legislatura ou de um novo biênio, o que, em sua avaliação, não tornaria indispensável a presença do prefeito.
Logo no início da sessão, um episódio de tensão também foi registrado. O presidente Romerinho Jatobá pediu desculpas publicamente pela forma como o secretário Jorge Vieira foi abordado por um dos vereadores, em referência a Eduardo Moura, classificando a atitude como inadequada.
Na oposição, a ausência de João Campos foi duramente criticada. O vereador Felipe Alecrim considerou o gesto um desrespeito ao Poder Legislativo. Segundo ele, na abertura anterior, o prefeito esteve presente, mas deixou o plenário antes de ouvir manifestações tanto da base governista quanto da oposição. Para Alecrim, a presença do chefe do Executivo seria fundamental para ouvir críticas, sugestões e demandas que impactam diretamente a vida da população recifense. O parlamentar destacou ainda que o que chama de “desprestígio” não atinge apenas a oposição, mas toda a Câmara Municipal.