O prefeito do Recife, João Campos (PSB), contestou nesta quinta-feira (12) a declaração do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, de que a chapa majoritária da Frente Popular em Pernambuco já estaria praticamente definida para as eleições de 2026. Segundo Lupi, o socialista teria sinalizado a necessidade de indicar um nome de centro-direita para a segunda vaga ao Senado, já que a primeira estaria reservada ao senador Humberto Costa, representante da esquerda na aliança.
Em resposta, João Campos afirmou que não existe qualquer decisão tomada sobre a composição da chapa e garantiu que as conversas com o PDT seguem abertas. O prefeito revelou que teve um encontro recente com Carlos Lupi e que uma nova reunião já está marcada para a próxima semana, em Brasília, para discutir não apenas o cenário em Pernambuco, mas também os alinhamentos nacionais entre os partidos.
“Tenho muito respeito pelo presidente Lupi. Estive com ele na semana passada e não existe decisão tomada. Já marcamos de sentar novamente na próxima semana, em Brasília. A gente tem uma aliança próxima ao PDT em todo o Brasil e há ajustes que precisam ser feitos”, afirmou o prefeito, após participar das comemorações pelos 489 anos do Recife.
Ao comentar as especulações sobre a formação da chapa, João Campos reforçou que nenhuma definição foi oficializada até o momento. Segundo ele, o processo de escolha será construído coletivamente dentro da Frente Popular.
“Ninguém disse que a chapa estaria pronta. Não tem chapa montada, não tem nome definido. Isso é um processo e não existe dono. Na política e na democracia não há uma decisão individual soberana, há um conjunto de definições”, declarou.
Apesar das incertezas, o prefeito destacou a relação próxima com a ex-deputada federal Marília Arraes e reconheceu a legitimidade de seu nome no debate sobre o Senado. “Marília tem uma condição muito próxima da gente, e tenho certeza de que esse processo vai se afunilar da forma certa”, disse.
Mesmo diante das articulações em curso, Marília Arraes tem reafirmado que sua pré-candidatura ao Senado é irreversível, respaldada pelo desempenho em pesquisas eleitorais. Nos bastidores, no entanto, interlocutores do PT e do PSB defendem que não haverá apoio a candidaturas avulsas ao Senado, com o objetivo de evitar dispersão de votos e preservar a unidade da Frente Popular na disputa de 2026.

