O Ministério da Saúde divulgou nota na manhã desta quarta-feira (20) em que classifica como “falha de interpretação” sobre a fala do ministro Eduardo Pazuello, que ontem selou acordo para compra de 46 milhões de doses da vacina chinesa para covid-19, caso a eficácia seja comprovada.
Após reação do presidente Jair Bolsonaro – que tem como desafeto o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), articulador da vacina no Brasil, o Ministério soltou a nota hoje.
Doria deverá ser candidato à presidência em 2022. Nos bastidores, sabe-se que Bolsonaro não quer dar margem para o governador de SP usar a vacina como trunfo eleitoral eventualmente numa disputa na próxima eleição.
“Sobre a reunião de ontem, realizada no Ministério da Saúde, por meio de vídeo conferência com governadores, esclarece-se o seguinte:
Houve uma interpretação equivocada da fala do Ministro da Saúde. Em momento nenhum a vacina foi aprovada pela pasta, pois qualquer vacina depende de análise técnica e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)”, diz trecho da nota do Ministério.
“Não houve qualquer compromisso com o governo do estado de São Paulo ou seu governador, no sentido de aquisição de vacinas contra Covid-19”, acrescenta o Ministério.
“Tratou-se de um protocolo de intenção entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, sem caráter vinculante, grande parceiro do MS na produção de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Mais uma iniciativa para tentar proporcionar vacina segura e eficaz para a nossa população, neste caso com uma vacina brasileira, caso fiquem disponíveis antes das outras possibilidades. Não há intenção de compra de vacinas chinesas. A premissa para aquisição de qualquer vacina prima pela segurança, eficácia (ambos conforme aprovação da Anvisa), produção em escala, e preço justo. Quando qualquer vacina estiver disponível, certificada pela Anvisa e adquirida pelo Ministério da Saúde, ela será oferecida aos brasileiros por meio do PNI e, no que depender desta Pasta, não será obrigatória”, complementa.
