O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu um passo importante para reorganizar o mapa de alianças no Congresso. Motta está montando um bloco parlamentar com cerca de 275 deputados federais, que exclui as bancadas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL).
O novo agrupamento reúne partidos das chamadas centro e centro-direita/oposição moderada: entre as siglas confirmadas estão União Brasil, Progressistas (PP), PSD, Republicanos, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), PSDB/Cidadania e Podemos.
Para aliados de Motta, a formação desse bloco representa mais do que uma colcha de retalhos partidária: é o possível embrião de uma terceira via viável até 2026. Ao isolar as legendas mais polarizadas — PT e PL — e juntar um número expressivo de deputados, Motta busca pavimentar um caminho político alternativo para o pleito presidencial e, ao mesmo tempo, reforçar sua base de apoio para uma eventual reeleição.
Políticos ouvidos por bastidores avaliam que, além de ampliar força na Câmara, o movimento tem o propósito de dar início a um debate mais amplo sobre o futuro do cenário partidário no Brasil — especialmente com a proximidade do ciclo eleitoral. A estratégia, segundo eles, pode redesenhar alianças e favorecer candidaturas fora dos polos tradicionais, em especial se esse bloco conseguir consolidar uma agenda comum e personalidade própria.
Resta observar, no entanto, se o bloco se manterá coeso diante das tensões que costumam surgir em momentos de disputa presidencial — bem como se conseguirá superar disputas internas e alinhar suas lideranças regionais e nacionais.
