
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), negou ter beneficiado parentes de integrantes do sistema de Justiça no concurso para procurador do município, realizado em 2022. A declaração foi dada após a repercussão de questionamentos envolvendo o resultado do certame e a nomeação de candidatos enquadrados nas vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCD).
Segundo o prefeito, não houve qualquer interferência política ou pessoal no processo. Ele afirmou que todas as decisões foram tomadas pela Procuradoria-Geral do Município, com base em critérios técnicos e administrativos. A polêmica envolve um candidato que é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas, órgão vinculado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco.
João Campos explicou que, inicialmente, a Procuradoria do Recife considerou como primeiro colocado na lista de PCD um candidato com transtorno do espectro autista (TEA), que apresentou laudo médico após a realização do concurso. Posteriormente, no entanto, a decisão foi revista após determinação judicial, contemplando outro candidato com deficiência física que já havia se inscrito como PCD no momento do certame. “Não há nenhuma decisão de mudança de nota, de passar na frente, não é isso. Não tem ninguém nomeado em função de nome, sobrenome ou parentesco. Isso não existe. Isso é uma ilação”, afirmou o prefeito.
A controvérsia teve início porque Lucas Vieira Silva, inicialmente classificado na 63ª colocação geral, apresentou um laudo médico — com aval da Justiça do Trabalho — informando diagnóstico de autismo. A Procuradoria do Recife aceitou o documento, o que o colocou temporariamente em primeiro lugar nas vagas reservadas a PCD. Com isso, o advogado Marko Venicio dos Santos Batista, deficiente físico e então primeiro colocado na lista de PCD, passou para a segunda posição.
Marko Venicio recorreu administrativamente da decisão, e o recurso foi aceito. Após a revisão do resultado, a Prefeitura do Recife nomeou Marko Venicio como procurador, por meio de edição extra do Diário Oficial, publicada na última quarta-feira.
O prefeito disse estar tranquilo quanto à condução do caso. “Toda a decisão foi tomada do ponto de vista técnico, com base em laudos da Justiça do Trabalho, garantindo o direito de recurso administrativo. A partir do momento em que o candidato que se sentiu prejudicado apresentou o recurso, ele foi imediatamente apreciado”, destacou.
As declarações de João Campos foram dadas após ele participar da primeira missa do ano no Santuário do Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife, onde afirmou ter ido agradecer e pedir proteção para o novo ano.