A votação do pedido de empréstimo de R$ 1,7 bilhão solicitado pelo Governo de Pernambuco voltou a acirrar os ânimos na Assembleia Legislativa. O presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (PSDB), e a líder do governo Raquel Lyra, deputada Socorro Pimentel (União Brasil), protagonizaram um novo embate público nesta quarta-feira (12), revelando o clima de tensão que antecede a ida do projeto ao plenário, marcada para a próxima terça-feira (17).
O anúncio da votação foi feito pelo próprio Álvaro Porto, que reforçou que o que será analisado é o substitutivo apresentado pela deputada Débora Almeida (PSDB). O texto determina que 50% dos recursos sejam destinados aos municípios — uma alternativa articulada pela base governista para garantir a tramitação nas comissões presididas pela oposição. No plenário, entretanto, governistas pretendem derrubar o substitutivo e restabelecer a proposta original enviada pelo Executivo.
Porto, contudo, voltou a questionar a capacidade do Governo Raquel Lyra de executar os recursos dos empréstimos já aprovados pela Alepe. Segundo ele, em entrevista ao blog do Dantas Barreto, o Estado só teria contratado cerca de R$ 3,8 bilhões do total superior a R$ 11 bilhões já autorizados, utilizando apenas R$ 2,2 bilhões. “Vai ser colocado em votação agora, mas a gente sabe que só é para o espaço fiscal de 2026. O plenário vai decidir, mas até agora o Governo não utilizou os empréstimos como deveria. E estamos em ano eleitoral”, afirmou. O presidente ainda mencionou obras que, segundo ele, seguem paradas ou atrasadas, como creches e o Hospital Mestre Dominguinhos.
As declarações provocaram reação imediata da líder do Governo, Socorro Pimentel, que classificou a postura de Álvaro como “turrona” e acusou o presidente de provocar politicamente a governadora. “Não se pode fazer a política do quanto pior, melhor. Só apontando defeitos”, criticou. Para a parlamentar, o Governo tem plenas condições de executar os investimentos previstos. “Eu tenho plena confiança na capacidade do Governo e da governadora Raquel Lyra para que as obras aconteçam. Em 2026, Pernambuco verá entregas robustas e transformadoras”, afirmou em entrevista ao blog do Dantas.
Socorro também rebateu a tese de que não haveria tempo hábil para execução das obras com recursos do novo empréstimo. “Achar que não haverá tempo para executar é desconhecer o ritmo e a seriedade deste Governo”, destacou.
Com discursos cada vez mais duros, o embate expõe a disputa política que tem marcado a relação entre o Palácio do Campo das Princesas e o comando da Alepe. A votação da próxima terça-feira promete novos capítulos.
