Essa foi para correr águas nos olhos. A música hoje fica mais triste, o coração do nordestino se aperta e fica aquela sensação de vazio. Perdemos um maioral da música, homem humilde e com uma sensibilidade como poucos tinham. Quem já teve a oportunidade de entrevistar Dominguinhos ou até mesmo tietar e pedir uma foto sabe do que falo.
O homem de uma voz poderosa, um maioral do forró, que cantava e encantava a todos. Recebeu de Luiz Gonzaga a missão de comandar um reinado difícil. A luta foi árdua, mas com a ajuda de Fagner, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Waldonys, Azulão, Valdir Santos e tantos outros manteve viva a chama da verdadeira música nordestina.
Quantos casais não dançaram coladinhos ao som de “Eu só quero um xodó”. Quantos que estavam longe da terra natal não se emocionaram ao ouvir “De volta para o meu aconchego”. Outros apenas dançaram e lembram do amor ingrato que chegou, bebeu água e foi embora, mas “Nem se despediu de mim”.
Hoje é um dia para que as sanfonas silenciem, mas que seja por pouco tempo. Dominguinhos tem herdeiros, Cezinha que o diga, que tem até o timbre de voz idêntico ao grande mestre. Dominguinhos se junta a Lindu, Marinês, Jackson do Pandeiro, Ezequias Rodrigues, Sivuca, Juarez Santiago, Jacinto Silva e Luiz Gonzaga. Muita luz Dominguinhos. Hoje milhões de pessoas no Nordeste irão dormir com o sentimento de luto.