O ‘rei’ está nu: nova nota de Moraes amplia explicações, mas aprofunda contradições

Mário Flávio - 23.12.2025 às 23:17h

A segunda nota divulgada pelo ministro Alexandre de Moraes, na noite desta terça-feira (23), longe de encerrar o assunto, acabou expondo ainda mais as fragilidades das explicações apresentadas sobre as conversas mantidas com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo. Se na primeira manifestação o magistrado limitou-se a afirmar que tratou apenas dos efeitos da Lei Magnitsky, agora o conteúdo foi ampliado — e, com isso, as dúvidas também.

Na nova versão, Moraes reconhece explicitamente que se reuniu duas vezes com o presidente do Banco Central em seu gabinete: a primeira, em 14 de agosto, após a aplicação inicial da Lei Magnitsky; a segunda, em 30 de setembro, depois que a sanção passou a atingir também sua esposa, em 22 de setembro. O ministro afirma que “em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master”, além de negar visitas ao Banco Central ou contatos telefônicos com Galípolo.

O problema é que o tema que não existia na primeira nota — a operação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) — surge agora como objeto explícito de negação. Ao trazer para o texto algo que antes sequer havia sido mencionado, o ministro acaba reforçando a percepção de que responde mais à pressão pública do que apresenta uma versão linear e transparente dos fatos.

Outro ponto sensível diz respeito ao escritório de advocacia de sua esposa. Moraes afirma que a banca “jamais atuou na operação de aquisição BRB–Master perante o Banco Central”. Ainda assim, o encadeamento dos fatos — sanções internacionais, reuniões reservadas com o presidente da autoridade monetária e, posteriormente, a necessidade de uma segunda nota explicativa — mantém no ar questionamentos que não se dissipam com negativas genéricas.

O ministro que, ao longo dos últimos anos, cobrou explicações duras, públicas e imediatas de investigados, autoridades e empresários, agora se vê no papel inverso. E, até aqui, suas explicações seguem consideradas pouco convincentes por amplos setores da opinião pública. Ao tentar se explicar, Alexandre de Moraes acaba evidenciando aquilo que seus críticos já apontavam: quando o escrutínio se volta para o próprio poder, o discurso perde firmeza. O rei, ao menos politicamente, já não parece mais vestido.

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