NOTA DA ONG COLETIVO MANGUEIRAS
FALTA DE MEDICAMENTOS PARA PESSOAS VIVENDO COM HIV EM CARUARU, PERNAMBUCO.
As pessoas vivendo com HIV atendidas pelo Serviço de Assistência Especializada (SAE) de Caruaru estão mais uma vez sofrendo com o descaso por parte do sistema de Saúde. Mais uma vez a falta de medicação para as pessoas que fazem uso da Terapia Antirretroviral (TARV) afeta não apenas os/as pacientes da cidade de Caruaru, mas de toda a área de municípios abrangida pela distribuição do Centro de Saúde Amélia de Pontes.
Segundo pacientes que fazem a retirada de seus medicamentos no SAE de Caruaru, essa não é a primeira vez que a falta de medicamentos acontece no Centro de Saúde. O SAE se encontra a mais de 10 dias sem oferecer a medicação para aqueles/as que a necessitam como única maneira de manter o vírus sob controle e evitar uma degradação do seu sistema imunológico.
O tratamento descontinuado por qualquer motivo pode acarretar uma queda no sistema imunológico dos/as pacientes, deixando-os/as vulneráveis a infecções oportunistas como também a uma possível resistência do organismo à própria medicação, causando uma ineficácia na utilização da droga e sendo necessário recorrer a novas combinações do coquetel que podem trazer novos e mais amplos efeitos colaterais.
Após um período de descontinuação no tratamento, um aumento da carga viral naturalmente acontece. Nesse sentido, um maior risco de transmissão é considerado. Assim, a falha cometida com relação à falta das medicações afeta não apenas os/as pacientes diretamente, mas também um aumento dos casos de transmissão é possível de forma indireta.
Importante também destacar que o acesso aos medicamentos da TARV acontece no Brasil unicamente pelo sistema de saúde, logo, não existe a possibilidade de comprar as medicações na rede privada. Dessa forma, a responsabilidade do sistema de saúde é única e intransferível pela falta de acesso ao tratamento antirretroviral ou a sua descontinuidade frequente.
Quando procurado no início desta semana, o SAE de Caruaru informou que o motivo da falta atual é resultado de uma troca de direção que aconteceu recentemente e que existiria uma possibilidade de que as medicações em falta chegassem na quinta-feira, 12 de novembro. Até o momento, não há medicação disponível.
Segundo a Gerencia de Prevenção e controle da Aids e outras DST do governo do Estado (DGCDA), que também foi contatada, a distribuição de medicamentos para a TARV no estado encontra-se normalizada. Mas não é a resposta que os/as pacientes estão recebendo ao ir em busca de seus medicamentos no SAE Caruaru.
Demandamos, por parte do SAE Caruaru, uma normalização da distribuição dos medicamentos da TARV o quanto antes, uma vez que quanto maior o período em falta, maiores as complicações possíveis para os/as pacientes que dependem da TARV para os cuidados com sua saúde. #ÉNossoDireito
