Opinião – É a percepção, ‘estúpido!’ – por Rik Daniel

Mário Flávio - 21.01.2026 às 19:25h

Parafraseando James Carville, estrategista da campanha de Bill Clinton em 1992, contra George H. W. Bush (Pai de George Bush), que disse: “É a economia, estúpido!”, ao se referir qual deveria ser o foco da campanha do Clinton para tentar vencer a eleição, e deu certo, Clinton venceu.

Após essa breve explicação da frase, podemos seguir para o assunto desse texto, há alguns dias tenho me debruçado sobre os números da violência em Pernambuco, mais especificamente a violência direcionada às mulheres, as matérias que circulam por aí é que o número de feminicídios disparou, tanto em Pernambuco, quanto no Brasil, ao ponto dos jornais noticiarem que “O número de feminicídios no país registrou recorde”, saiu de 1464 em 2024, para 1470 em 2025, um aumento de menos de 0,5%, vale salientar que o valor é recorde na série histórica, que passou a ser contabilidade a partir de 2015, quando o crime de feminicídio foi tipificado como qualificadora do homicídio.

O Professor Pedro Nery evidenciou bem em seu artigo “Recorde de feminicídios no Brasil está em todo lugar, menos nos dados”, ele diz que não é possível argumentar que de fato há um recorde, pois os dados são incompletos, como citado anteriormente no texto, feminicídios só começaram a ser contabilizados a partir de 2015.

Agora, vamos para Pernambuco, os jornais relataram que houve um aumento de 15% no número de feminicídios no ano passado (2025) em relação ao ano de 2024, esse dado é verdade, não há o que contestar, em 2024 foram contabilizados 76 feminicídios, de um total de 264 mortes de mulheres, já em 2025, foram 88 feminicídios, de um total de 220 mortes de mulheres, 15% de aumento no número de feminicídios, mas 16,67% de redução no número de mortes totais.

O G1 chegou a noticiar que o número de 88 feminicídios era o maior em 8 anos, apresentou um gráfico com os anos de 2017 até o ano de 2025, mas “esqueceu” de mencionar que em 2016, quando começaram a ser contabilizados os feminicídios, tivemos um total de 112, se compararmos 2016 com o ano passado, vamos ver que na verdade, no quadro geral, houve uma redução de 21% no número de feminicídios, e uma redução na mesma proporção de morte de mulheres, de 281 em 2016, para 220 em 2025.

Mas você não verá em nenhum jornal essa informação de que houve uma redução de 21% no número de feminicídios (a não ser nesse artigo), pois aparentemente não é do interesse dos nossos grandes meios de comunicação passar a informação completa, apenas manter a impressão de que o caos está instaurado no Brasil e que as mulheres estão sendo caçadas na rua com facões, foices e armas de fogo.

Para concluir, o ponto do texto não é a inexistência da violência, mas a forma como dados parciais constroem uma narrativa distorcida da realidade.