A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (15) revela um dado que contrasta de forma direta com o discurso predominante de setores da esquerda brasileira sobre a crise venezuelana e a atuação dos Estados Unidos na região. Segundo o levantamento, realizado entre os dias 5 e 11 de janeiro de 2026, 60% dos latino-americanos aprovam a operação militar norte-americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro, sob acusações relacionadas ao narcotráfico.
O resultado geral já indica uma percepção regional menos ideologizada e mais pragmática sobre o episódio, mas o recorte por países evidencia ainda mais o descompasso do debate travado no Brasil. No Caribe, a aprovação chega a 82%, enquanto Peru, Equador e Bolívia registram 77% de apoio. Em países como Colômbia (64%), Argentina (62%) e Paraguai e Uruguai (72%), a maioria da população também se posiciona favoravelmente à operação. No Brasil, 58% aprovam a ação, percentual expressivo diante do tom crítico adotado por partidos, lideranças e movimentos alinhados à esquerda.
O contraste se acentua quando a pesquisa aborda a questão da soberania venezuelana, frequentemente evocada no discurso político brasileiro. A maioria dos entrevistados na América Latina considera que a remoção de Maduro não representou violação da soberania da Venezuela, sinalizando que a população da região associa o episódio mais ao combate ao crime organizado e à deterioração institucional do país do que a uma intervenção imperialista nos moldes clássicos.
Outro dado que chama atenção diz respeito às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os interesses comerciais norte-americanos na Venezuela. Para 51,5% dos entrevistados, essa ênfase não causa incômodo, sob o argumento de que tais interesses podem gerar benefícios econômicos também para os venezuelanos. Apenas 41,6% afirmaram que as declarações deveriam ser condenadas por representarem exploração do país.
Os números revelam um cenário em que a narrativa dominante em setores da esquerda brasileira — que insiste em tratar o tema exclusivamente sob a ótica do anti-imperialismo e da denúncia automática da ação dos EUA — encontra pouco respaldo na opinião pública regional e nem mesmo majoritário no Brasil. Enquanto a população latino-americana demonstra apoio à responsabilização de Maduro e à interrupção de um regime associado ao colapso econômico, à repressão política e ao narcotráfico, o discurso ideológico segue desconectado da percepção concreta dos cidadãos.

