A polarização política consolidada no Brasil ao longo da última década tem imposto um limite claro à popularidade dos presidentes da República. De acordo com levantamento do Datafolha, desde 2014 nenhum chefe do Executivo conseguiu ultrapassar o patamar de 42% de aprovação, um teto que contrasta com períodos anteriores da história recente do país.
A análise considera a série histórica de pesquisas do instituto desde o governo José Sarney, o que permite observar mudanças significativas no comportamento do eleitorado ao longo do tempo. Até o início dos anos 2000, era mais comum que presidentes alcançassem níveis elevados de aprovação, especialmente em momentos de estabilidade econômica ou após a implementação de políticas de grande impacto social. Esse cenário, no entanto, começou a se alterar de forma mais nítida a partir da intensificação da polarização política.
Desde 2014, ano marcado por uma eleição presidencial extremamente disputada e pelo aprofundamento das divisões ideológicas, o apoio aos governos passou a se mostrar mais fragmentado. O eleitorado tende a se posicionar de forma mais rígida, reduzindo o espaço para consensos amplos e dificultando a ampliação da aprovação presidencial para além de nichos políticos específicos.
Os dados do Datafolha indicam que, independentemente do perfil do presidente ou do campo ideológico que represente, a rejeição também se mantém elevada, funcionando como um freio estrutural à popularidade. O resultado é um ambiente político mais tensionado, no qual governar com altos índices de aprovação se tornou uma exceção cada vez mais distante.
A leitura da série histórica reforça a percepção de que a polarização não apenas molda o debate público, mas também redefine os limites da relação entre governo e sociedade, estabelecendo um novo padrão de avaliação dos presidentes no Brasil.

