
As articulações políticas em torno das eleições de 2026 estão provocando forte turbulência no Partido Progressista em Pernambuco. A legenda, que caminhava para se tornar a maior bancada da Assembleia Legislativa de Pernambuco com previsão de chegar a 11 parlamentares após a janela partidária, agora vive um clima de incerteza e pode enfrentar uma debandada de deputados estaduais e federais.
O motivo da crise seria a possibilidade de o deputado federal Eduardo da Fonte, que preside o partido no estado, fechar acordo para disputar uma vaga ao Senado na chapa encabeçada pelo prefeito do Recife, João Campos. A movimentação vem sendo comentada nos bastidores da política pernambucana há cerca de dez dias e tem provocado reações dentro da própria legenda.
Caso o entendimento com João Campos seja confirmado, a expectativa é de que entre quatro e seis deputados deixem o partido. Entre os nomes mais citados estão os estaduais Antônio Moraes, Pastor Júnior Tércio, Cleiton Collins e o deputado licenciado Kaio Maniçoba. Na Câmara Federal, também são apontados como possíveis saídas os deputados Clarissa Tércio e Fernando Monteiro.
Nos bastidores, a justificativa para a possível debandada envolve fatores ideológicos – muitos não querem alianças com partidos de esquerda – e também alinhamentos políticos. Parte dos parlamentares tem afinidade com o governo estadual e mantém proximidade com a governadora Raquel Lyra. Com isso, uma migração para partidos da base governista não está descartada. Um dos destinos possíveis seria o PSDB, legenda que voltou a ser comandada politicamente por Raquel Lyra no estado.
As incertezas também já afetam negociações com parlamentares que planejavam ingressar no PP durante a janela partidária. Um dos casos é o do deputado France Hacker, que deixará o Partido Socialista Brasileiro e era esperado no Progressistas. Nos últimos dias, no entanto, Hacker sinalizou que só deve tomar uma decisão após o dia 15. O parlamentar é considerado um dos mais entusiasmados com a reeleição de Raquel Lyra e tem forte influência política na Mata Sul, com apoio de diversos prefeitos da região.
A crise no Progressistas dominou as conversas nos corredores, gabinetes e no plenário da Assembleia Legislativa nesta semana. Entre os próprios deputados do partido, chama atenção o fato de que muitos afirmam estar sem contato direto com Eduardo da Fonte há mais de uma semana. Segundo relatos de parlamentares, até mesmo para marcar audiências com o dirigente estadual têm recorrido ao deputado federal Lula da Fonte, filho de Eduardo da Fonte.
Enquanto a definição não ocorre, o PP vive um momento de expectativa e tensão. A confirmação ou não da aliança com João Campos pode redefinir o tamanho e o posicionamento político da legenda no estado às vésperas da disputa eleitoral de 2026.
