A reconfiguração política promovida pela governadora Raquel Lyra ganhou novos desdobramentos na noite desta terça-feira (17) e evidenciou, de forma mais concreta, a perda de espaço do PP dentro da gestão estadual. Após o avanço do PSD na Assembleia Legislativa, com a filiação de sete deputados, o governo iniciou mudanças diretas em cargos estratégicos ocupados por indicações do partido.
Foram exonerados os dirigentes de três importantes órgãos estaduais: Bruno Rodrigues, do Ceasa; Plínio Pimentel, do Lafepe; e Paulo Nery, do Porto do Recife. Todos ocupavam funções por indicação do deputado federal Eduardo da Fonte, que preside o PP no estado e vem se aproximando politicamente do prefeito do Recife, João Campos, possível adversário de Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026.
As exonerações marcam o início de um processo mais amplo de desocupação dos espaços anteriormente controlados pelo PP dentro da máquina estadual. A tendência, segundo fontes do governo, é que outras mudanças ocorram nos próximos dias, atingindo áreas onde o partido ainda mantém influência.
De forma provisória, os presidentes dos conselhos de administração assumem interinamente a condução dos órgãos afetados, até que novos nomes sejam definidos pela gestão estadual.
O movimento reforça o desgaste na relação entre o governo e o PP, que, nos últimos anos, ocupou posição estratégica na base aliada e chegou a contar com uma bancada relevante na Alepe. Agora, com a sinalização de apoio do partido à pré-candidatura de João Campos ao governo, o cenário aponta para um afastamento cada vez mais evidente.
Nos bastidores, a avaliação é de que as mudanças fazem parte de uma estratégia política de Raquel Lyra para reorganizar sua base de apoio e consolidar o PSD como principal força de sustentação do governo, já de olho no cenário eleitoral de 2026.

