Presidentes da Câmara e do Senado rompem relação com líderes do PT

Mário Flávio - 24.11.2025 às 23:14h

A crise entre o governo federal e o comando do Legislativo ganhou novos capítulos nesta segunda-feira (24). Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), romperam suas relações institucionais com os líderes do PT nas duas Casas, ampliando o risco de isolamento político para o Palácio do Planalto.

Na Câmara, Hugo Motta confirmou o rompimento com o líder petista Lindbergh Farias (RJ) após uma sucessão de episódios que tensionaram a articulação política. Entre eles está a decisão de Motta de designar Guilherme Derrite para conduzir o texto e as negociações em torno do PL Antifacções, proposta enviada ao Congresso pelo governo Lula. A escolha desagradou setores do PT, que tentaram reverter a decisão, o que elevou o conflito interno.

Aliados de Motta também apontam o crescente descontentamento com uma suposta campanha contra ele nas redes sociais, atribuída por interlocutores a influenciadores alinhados ao PT. O presidente da Câmara teria recebido informações de que a ofensiva digital teria sido articulada com o conhecimento — ou até incentivo — do líder petista. Essa percepção levou ao rompimento definitivo da relação institucional.

No Senado, o clima não é menos tenso. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, deixou de atender ligações e de manter qualquer diálogo com o líder do PT no Senado, Jaques Wagner. A irritação de Alcolumbre aumentou após o governo Lula decidir não indicar Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e nome defendido por grande parte dos senadores, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). O Planalto optou por Jorge Messias, decisão que gerou forte desgaste.

A deterioração simultânea das relações nas duas Casas pode gerar impactos diretos na agenda do governo Lula no Congresso. A articulação política, que já enfrentava dificuldades em votações recentes, tende a ficar ainda mais frágil com os rompimentos públicos entre os chefes do Legislativo e os líderes petistas.

Nos bastidores, parlamentares afirmam que a tensão pode se aprofundar nas próximas semanas, especialmente em temas sensíveis como reforma tributária, segurança pública e projetos de interesse direto do Executivo. O governo agora tenta avaliar como recompor pontes e evitar que a crise se transforme em um bloqueio institucional. A conferir.