Protestos contra inflação e regime no Irã deixam mais de 500 mortos e elevam tensão internacional

Mário Flávio - 12.01.2026 às 08:29h

O Irã vive uma de suas mais graves crises políticas e sociais das últimas décadas. Nas últimas duas semanas, manifestações contra a inflação que já alcança cerca de 40% e contra o regime do aiatolá Ali Khamenei se espalharam por diversas cidades do país. Nas últimas horas, porém, a situação se agravou dramaticamente, com denúncias de repressão violenta por parte das forças de segurança.

Segundo organizações internacionais de direitos humanos, policiais e forças ligadas ao regime passaram a atirar diretamente contra os manifestantes. Até o momento, foram registradas 538 mortes — sendo 490 civis e 48 agentes de segurança — além de mais de 10,6 mil pessoas presas. Como o governo iraniano cortou o acesso à internet desde quinta-feira, ativistas alertam que o número real de vítimas pode ser ainda maior. Há relatos de hospitais lotados de corpos e denúncias de um massacre em andamento.

Dentro e fora do Irã, os protestos também ganharam um forte símbolo político. Manifestantes passaram a erguer a antiga bandeira iraniana, usada antes da Revolução Islâmica de 1979, quando o país era uma monarquia. A imagem tem se espalhado pelas redes e virou um sinal claro de rejeição ao regime teocrático que governa o país há mais de quatro décadas.

A escalada da violência também elevou o nível de tensão internacional. Diante do agravamento da crise, os Estados Unidos discutem, em caráter de urgência, como devem reagir. No fim de semana, o secretário de Estado norte-americano conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre possíveis cenários de intervenção. Segundo jornais israelenses, uma operação militar americana está sendo considerada, embora ainda não haja detalhes sobre formato ou prazo.

Na noite de domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã “cruzou a linha vermelha” e declarou que o governo americano avalia “opções muito fortes” para responder à situação. Em reação, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou os manifestantes de ligação com “terroristas” e ameaçou atacar Israel e bases americanas caso Washington realize qualquer ação militar. Horas depois, publicou uma charge nas redes sociais retratando Trump como um sarcófago em ruínas, em mais um gesto de confronto simbólico em meio à crise.