
O prefeito do Recife, João Campos, havia solicitado ao Partido dos Trabalhadores uma posição oficial sobre o apoio da sigla à sua eventual candidatura ao Governo de Pernambuco antes do dia 4 de abril, data em que termina o prazo da chamada janela partidária. Nos bastidores, a avaliação era de que uma definição até essa data daria mais segurança política para que o prefeito renunciasse ao cargo e disputasse as eleições de outubro.
Inicialmente, a expectativa era de que o partido anunciasse sua posição no próximo dia 28. No entanto, a direção petista decidiu adiar o posicionamento, e uma nova data ainda não foi definida. Fontes do partido confirmaram o adiamento e apontaram que o cenário político segue em movimento, o que tem dificultado a tomada de uma decisão neste momento.
De acordo com uma das fontes ouvidas, a indefinição não se limita a Pernambuco. O quadro nacional também estaria em processo de reorganização, com negociações em andamento para a formação das chapas majoritárias em diversos estados. Diante desse contexto, a avaliação dentro do partido é de que seria prudente aguardar mais tempo antes de formalizar qualquer posicionamento. Questionada sobre a possibilidade de a decisão sair até 4 de abril, a fonte afirmou que o partido pode precisar de um prazo maior.
Antes de comunicar oficialmente o adiamento ao prefeito do Recife, o PT realizou consultas internas com suas principais lideranças e também com setores da militância. Embora parte dos integrantes defendesse a antecipação da decisão, prevaleceu o entendimento de que o cenário ainda é incerto e recomenda cautela.
Nos últimos dias, novas movimentações políticas aumentaram a instabilidade no tabuleiro eleitoral. A divulgação dos nomes do deputado federal Eduardo da Fonte como possível candidato ao Senado e do deputado estadual Antonio Coelho para a vaga de vice em uma eventual chapa liderada por João Campos provocou forte repercussão nos bastidores.
A reação mais imediata veio de setores do Progressistas. Parlamentares da legenda teriam demonstrado insatisfação com a possibilidade de o partido apoiar um palanque ligado ao PSB e chegaram a cogitar deixar a sigla caso isso se confirme. Segundo relatos, parte desses deputados estaria alinhada politicamente com a governadora Raquel Lyra.
O movimento também provocou reações dentro do União Brasil, que negocia a formação de uma federação partidária com o PP. O ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho afirmou que mantém sua pré-candidatura ao Senado e rejeita a possibilidade de seu irmão, Antonio Coelho, ocupar a vaga de vice em uma chapa encabeçada por João Campos. Ele também demonstrou discordância com a indicação de Eduardo da Fonte para disputar o Senado pela federação.
Já o deputado federal Mendonça Filho defendeu que a própria federação se manifeste oficialmente sobre o cenário político em Pernambuco. Segundo ele, o estatuto da aliança prevê que, em casos de divergência entre os partidos nos estados, a decisão final deve ser tomada pela direção nacional, e não pelas lideranças estaduais, como tem sido defendido por alguns dirigentes locais.
Com as articulações em curso e as disputas internas ainda em aberto, a definição sobre alianças e composições majoritárias segue indefinida, mantendo o ambiente político de Pernambuco em clima de expectativa para os próximos passos rumo às eleições de 2026.