A movimentação da governadora Raquel Lyra nos bastidores da política pernambucana revela muito mais do que simples articulação eleitoral. O que está em jogo é a tentativa clara de transformar o PSD em uma força em Pernambuco. Hoje, o partido tem apenas um deputado federal no estado, Fernando Monteiro.
Raquel sabe que eleição de deputado federal não se ganha só com discurso, se ganha com base, com prefeito, com estrutura e, principalmente, com voto organizado. Por isso, ela está ouvindo, um a um, os mais de 70 prefeitos que se filiaram ao PSD neste ano. A pergunta que ela faz é direta: até onde cada gestor pode ir para ajudar a montar esse time de pré-candidatos a federal? E mais importante: quem cada prefeito pode entregar de fato em termos de apoio eleitoral.
Essa semana, um gesto simbólico deixou claro que a engrenagem começou a rodar de forma mais explícita. A governadora autorizou o secretário de Meio Ambiente, Daniel Coelho, a anunciar publicamente o apoio da prefeita de Olinda, Mirella Almeida. Ela foi a primeira a atender ao apelo do Palácio. O anúncio marca o início de uma estratégia que tende a se espalhar pela Região Metropolitana.
E a Região Metropolitana, convenhamos, é onde está o ouro eleitoral. Em Jaboatão, por exemplo, o prefeito Mano Medeiros ainda não definiu um candidato a deputado federal. Distante dos Ferreiras, Mano virou peça-chave nesse tabuleiro. O espaço está aberto, e isso desperta o interesse direto da governadora. Já em Camaragibe, o jogo é diferente. Diego Cabral, antes mesmo de se filiar ao PSD, já havia combinado com Raquel que manteria o apoio a Carlos Costa, irmão do ministro Silvio Costa Filho.
Mas, como sempre acontece na política, acordos não são cláusulas pétreas. Nos corredores da Assembleia Legislativa, comenta-se que outros prefeitos da Região Metropolitana podem reconsiderar seus apoios, a depender do grau de envolvimento pessoal de Raquel Lyra na campanha proporcional do PSD. E esse é o ponto central.
Apesar de, publicamente, a governadora afirmar que vai respeitar os espaços dos candidatos a federal e estadual do seu time, independentemente de legenda, uma fonte muito próxima a ela garante: até o final de março, Raquel estará totalmente dedicada a garantir votos suficientes para eleger até cinco deputados federais.
Para isso, ela não olha apenas para novos nomes. Deputados estão sendo sondados, e alguns já demonstram disposição para atravessar a ponte. Um exemplo citado nos bastidores é Mendonça Filho. Outro nome em negociação é o deputado Júnior Uchôa, com quem Raquel já marcou conversa assim que retornar das férias. Uchôa, inclusive, pode se tornar a opção de Mano Medeiros em Jaboatão, caso o prefeito decida ingressar oficialmente no PSD.
Resumindo: Raquel Lyra não está apenas organizando sua base. Ela está montando um projeto de musculatura política nacional. Quem subestimar esse movimento, pode acordar depois das eleições olhando para um PSD muito maior — e para uma governadora com ainda mais influência no cenário político pernambucano e em Brasília. A conferir.

