‘Super Mario’ forma novo governo na Itália com apoios que vão da centro-esquerda à extrema-direita

Mário Flávio - 13.02.2021 às 07:53h

Quarta economia da Europa, a Itália tem um novo governo. Após se reunir com o presidente Sergio Mattarella nesta sexta-feira, o ex-chefe do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi confirmou que está pronto para formar um governo de “união nacional” como novo primeiro-ministro.

O juramento perante o Parlamento está marcado para este sábado às 12h de Roma (8h no Brasil).

A lista dos ministros, como esperado, inclui uma mistura de políticos dos partidos que o apoiam e tecnocratas experientes.

Luigi Di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), continuará ministro das Relações Exteriores, enquanto Giancarlo Giorgetti, uma figura importante da Liga, será ministro da Indústria. Andrea Orlando, do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, será ministra do Trabalho.

Ao todo, o antissistema M5S terá quatro ministos, o PD três, a Força Itália, legenda de centro-direita de Silvio Berlusconi, três, a Liga, de extrema direita, também três, e o Itália Viva, do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, um, numa divisão de pastas que corresponde ao peso dos partidos no Parlamento.

Das principais legendas, só ficou de fora o Irmãos de Itália, também de extrema direita, que tem competido com a Liga pelos votos dessa faixa do eleitorado. Ao apoiar Draghi, a Liga de Matteo Salvini rompeu com seu passado recente contrário à União Europeia e acenou ao eleitorado de centro-direita.

Ao todo, o novo governo terá 23 ministros, dos quais 15 homens e 8 mulheres.

Mattarella deu a Draghi um mandato para tentar formar um novo Executivo na semana passada, depois que negociações destinadas a reeditar a coalizão liderada por Giuseppe Conte, que renunciou em 26 de janeiro, desmoronaram.

Ao buscar a opção de um governo suprapartidário liderado por um notável, o presidente italiano quis evitar a convocação de eleições antecipadas em meio à pandemia e à profunda recessão econômica provocada pela crise sanitária.

Draghi, de 73 anos, é creditado por salvar a zona do euro do colapso em 2012, episódio em que ficou conhecido como “Super Mario”, mas políticos que se reuniram com ele esta semana disseram que o primeiro-ministro designado lhes disse que se opõe à austeridade fiscal, apesar do aumento dos níveis da dívida nacional, dada a importância de proteger a coesão social.

Mario Draghi disse que entre suas principais prioridades está a aceleração da campanha de vacinação contra a covid-19. A Itália registrou quase 93 mil mortes relacionadas ao novo coronavírus desde que a pandemia atingiu o país em fevereiro do ano passado, o segundo maior número de mortes na Europa.