
A deputada estadual Teresa Leitão (PT) é a entrevistada de hoje no blog. Ela fala sobre a decisão de disputar um mandato de deputado federal, indicação do senador Humberto Costa pelo PT para disputar o governo de Pernambuco e da vinda de Geraldo Alckmim para ser o possível vice de Lula em 2022. Teresa ainda comentou sobre as feridas geradas na relação com o PSB desde o rompimento.
Blog do MF – A senhora vai concorrer a deputada federal. O que motivou a essa mudança?
Teresa – O que motivou a minha mudança foi o acúmulo de cinco mandatos de deputada estadual. Eu acho que é tempo suficiente, de experiência ativa no legislativo estadual e posso usar essa experiência na Câmara Federal, principalmente para ajudar nesse processo de reconstrução e de transformação do Brasil, coordenado e liderado pelo presidente Lula. Além disso, nós temos excelentes nomes para renovar o espaço do PT.
Blog do MF – O PT já tem Carlos veras e Marília Arraes com mandato na Câmara Federal. A senhora acredita que a bancada do PT na Câmara pode aumentar para quantos deputados?
Teresa – Temos totais condições de aumentar a bancada. Dependendo de Marília, se ela vai para a majoritária ou não. Ela ficando na disputa por uma vaga de deputada federal com certeza será reeleita, como uma das mais votadas. Assim como o Carlos Veras com mais um ou mais dois, eu acredito que tenha força e apoiadores para figurar nesta ampliação. Na pior das hipóteses a gente aumenta a bancada para três.
Blog do MF – A senhora criticou a rapidez na indicação da direção do partido para o nome de Humberto Costa ser o candidato ao governo. Por qual motivo?
Teresa – Eu não critico o nome de Humberto, o nome dele juntamente com o nome de Marília já vinham sendo especulados dentro do partido. O que eu achei foi um processo muito rápido e feito de maneira açodada, quando poderia ser um processo de consenso, um processo de unidade interna do partido e não ter um nome de um Senador da República sem ser por unanimidade. Ficamos sabendo dessa votação na véspera e isso poderia ter sido evitado, essa discussão poderia ter sido aprofundada.
Blog do MF – Mas Humberto tem a confiança do ex-presidente Lula. Os dois decidiram por, exemplo, rifar o nome de Marília Arraes em 2018 e provavelmente agora também. Por qual motivo tanta resistência ao nome de Marília dentro do próprio PT?

Teresa – Eu sei que Lula e Humberto têm conversado muito, como Lula conversou com todos nós quando veio aqui ao Recife esse ano, ninguém aqui está fazendo coisa que contraria o presidente Lula, muito pelo contrário. Há um, grande consenso no PT que a prioridade na eleição de 2022 é a candidatura vitoriosa de Lula. Nós precisamos ganhar essa eleição pelo bem do Brasil e o nome de Marília é o que é considerado o mais competitivo dentro do PT. Não se tratou de rifar Marília e nem se trata agora. Houve um esforço muito grande em 2018 para a ampliação do palanque de Haddad e foi uma troca. mas eu acho que não foi a troca ideal, o PSB não veio todo para apoiar Haddad, o que é diferente esse ano, ela (PSB) virá todo em todo Brasil formalmente, com tempo de televisão, com sigla e Marília está fazendo parte desse debate, tanto que o nome dela continua como nome para uma vaga na majoritária.
Blog do MF – Se a aliança for confirmada com o PSB a senhora se sente confortável em votar em Geraldo Júlio ou outro nome indicado pelo partido?
Teresa – Eu não acredito que o candidato do PSB seja Geraldo Júlio, tudo indica que não será Geraldo. Ele é um candidato difícil porque foi muito duro com o PT, desde a campanha da presidente Dilma, mas o que está se discutindo não é nada relativamente a pessoa, está se discutindo o projeto. Eu sou uma militante do PT, nunca votei contra as teses e as determinações do meu partido. Gostaria muito que o PT tivesse uma candidatura própria e acho que isso não está descartado. Nós podemos encabeçar uma candidatura e caso isso não seja possível eu seguirei o partido nas determinações.
Blog do MF – Mas as últimas eleições no Recife foram de muita confusão entre PT e PSB. As feridas sararam?
Teresa – As eleições municipais foram extremamente duras, mas sobretudo para Marília e para o PT. O candidato do PSB (João Campos) atingiu frontalmente com machismo, misoginia a candidatura de Marília, mas ninguém faz política guardando rancor, Mario. As feridas… não acredito que sararam e nem vão sarar, mas nós estamos diante de um desafio maior, que é tirar Bolsonaro do poder, então o que vamos fazer com essas feridas? Tratá-las…. Não há ambiente agora para avaliações, nem posições que leve em conta questões específicas. Foi duro, isso está escrito na história política de Pernambuco, foi feio para o candidato vencedor e isso também está escrito na história.
Blog do MF – A senhora aprova o nome de Geraldo Alckmin para ser o vice de Lula? Isso não seria o vale tudo pelo poder?
É um acordo, uma aliança que se faz, considerando as prioridades de cada partido. Lula está encabeçando as conversas para uma frente ampla para derrotar Bolsonaro. O que vale nessa eleição é derrotar Bolsonaro. Não significa vale tudo na política, esse vale tudo na política quem está fazendo é Bolsonaro, retirando o direito das pessoas viverem com dignidade, é fome, miséria, fila do mortes por causa da gestão na pandemia. É ele que está fazendo esse vale tudo, o que nós queremos é criar força social, força política e alianças necessárias para derrotá-lo e Alckmin, ao que parece, faz parte desse projeto, ele está dando sinalização de que quer.
Blog do MF – Como a senhora avalia a movimentação da oposição à Frente Popular em Pernambuco?
Teresa – Acho que a frente Popular de Pernambuco tem características muito especiais, é muito ampla, contempla partidos que têm tradição na Frente Popular como PCdoB, PSB, o próprio PT, que está se preparando ainda para voltar. Lembre-se que nós saímos da Frente na eleição de 2020, mas você tem também partidos de centro, como o PP, PSD, Avante, Republicanos, MDB… É uma frente bem diversa, isso evidentemente dar mais complexidade a movimentação da frente aqui. Ela carece de mais unidade de pensamento e é preciso também uma liderança forte para unificar toda essa diversidade.
Blog do MF – As pesquisas indicam uma vitória do ex-presidente Lula ano que vem. A senhora está confiante?
Teresa – Estou muito confiante nessa vitória de Lula. Parece que os 580 dias que Lula passou na prisão deixaram ele mais amadurecido. A gente olha e vê uma liderança pronta e com tantas eleições e governos, a gente pensava que Lula não tinha mais para onde crescer, mas o bicho tá virado. Ele é como vinho, quanto mais velho, melhor. O melhor do amadurecimento dele é que ele está conseguindo convencer a população, que já dá a ele liderança em todas as pesquisas e ao mesmo tempo atraindo aliados. O que Lula está fazendo pelo Brasil nos dá muita confiança em uma vitória, claro que não falo isso com ufanismo, porque a eleição vai ser muito dura, mas com confiança militante de quem vai suar a camisa para reeleger o melhor presidente da história do Brasil.
Blog do MF – Mas em 2018 ninguém apostava na vitória de Bolsonaro e ele ganhou. O que mudou de lá para cá?
Teresa – A vitória de Bolsonaro foi o que a gente chama de case na política, sem falar que existe até hoje aquela história da facada, uma história mal explicada. Havia também uma grande rejeição da política, o que mudou de lá pra cá foi exatamente isso e a ilusão não demorou muito. A máscara de Bolsonaro caiu, apesar dele não ter enganado ninguém, mas nem todo mundo tem os olhos muito atentos na política. Para mim Bolsonaro não surpreendeu, considerando a indigência e seus mandatos de deputado a suas ligações com as milícias. Mais isso veio a público de forma bastante cruel agora e o tratamento desumano e cruel que Bolsonaro deu a pandemia. Eu acho que o povo cansou o que Bolsonaro tem hoje é o seu reduto, ele fala só para os dele e vem perdendo gordura política o tempo todos e felizmente isso mudou.
Blog do MF O ex-vereador Daniel Finizola lançou o nome dele para deputado estadual ano que vem. A senhora vai dobrar com ele em Caruaru?
Teresa – O lançamento do vereador Daniel Finizola foi construído com a minha participação, o que muito me honra. Daniel é um excelente quadro do Partido dos Trabalhadores, não só de Caruaru, mas do estado inteiro. Nessa construção tive o prazer de estar na reunião do diretório, quando o nome de Daniel foi apresentado, aplaudido e acatado unanimemente. Vou dobrar com Daniel em Caruaru e em outros municípios da região. Acho que será uma campanha muito legal a de Daniel e Teresa.
Blog do MF – Qual mensagem deixa para o povo de Pernambuco?
Teresa – A minha mensagem para o povo de Pernambuco não podia deixar de ser uma mensagem de esperança, esperança do verbo esperançar, aproveitando o centenário de Paulo Freire. Que seja a esperança de quem se levanta, quem vai à luta, de quem acredita na construção coletiva, é isso que nós precisamos fazer para recuperar toda a felicidade que o povo merece ter. A política é isso… Eu desejo que em 2022 na vida, na política a gente possa transformar para melhor a realidade de Pernambuco e a realidade do Brasil.