A saída do ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado, do Partido Liberal (PL) para o Podemos, comandado em Pernambuco por Marcelo Gouveia, abriu uma crise pública envolvendo dois dos principais nomes da direita no Estado. A mudança de legenda desencadeou uma série de declarações duras e trocas de acusações com o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira.
Durante ato de filiação do jornalista Carlos Britto ao PL, em Petrolina — evento que também marcou o lançamento da pré-candidatura da jornalista Lara Cavalcanti à Assembleia Legislativa — Anderson classificou Gilson como “desertor” e afirmou que ele teria traído o senador Flávio Bolsonaro. Segundo o dirigente do PL-PE, o ex-ministro não teria legitimidade para falar em nome da direita no Estado após migrar para um partido que, segundo ele, mantém relação com a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Anderson também afirmou que Gilson teria recuado da disputa ao Senado após insistir na candidatura e classificou como erro político a entrada do ex-ministro na corrida pela Prefeitura do Recife. Na avaliação do ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, a candidatura ocorreu sem “musculatura política”, defendendo que o nome do PL, à época, deveria ter sido o de seu irmão, André Ferreira.
A reação veio em duas frentes. Gilson Filho, deputado estadual e filho do ex-ministro, declarou que o pai sempre foi o principal aliado de Bolsonaro em Pernambuco e acusou o PL estadual de não respeitar decisões alinhadas ao senador Flávio Bolsonaro. Segundo ele, a saída foi articulada em conjunto com o parlamentar fluminense.
O próprio Gilson Machado rebateu as críticas de Anderson Ferreira e afirmou que todas as suas decisões foram combinadas com Flávio. Disse ainda que, se fosse considerado “desertor”, seria “do projeto dos Ferreiras”, e não do grupo bolsonarista. Em entrevista, declarou que deixou o PL pela “porta da frente” após se sentir em um ambiente político que classificou como tóxico.
O pano de fundo da crise é a disputa por protagonismo na direita pernambucana e, principalmente, a corrida por uma vaga ao Senado em 2026. Anderson Ferreira deu sinais de que pretende manter sua pré-candidatura de forma independente, mesmo diante das movimentações internas e das mudanças de legenda.
O embate público escancara um racha que pode fragmentar ainda mais o campo conservador no Estado, abrindo espaço para novas alianças e rearranjos partidários no tabuleiro eleitoral que começa a ser montado em Pernambuco.
