
A crise política envolvendo Estados Unidos e Venezuela voltou a escalar após novas revelações feitas pelo Miami Herald. Segundo o jornal, o presidente americano ofereceu a Nicolás Maduro e à sua família a chance de deixar o país com vida — desde que o fizessem imediatamente. A proposta teria sido apresentada em uma ligação de 50 minutos realizada na semana passada, quando o líder venezuelano impôs duas condições para aceitar o acordo: manter o controle das Forças Armadas e receber anistia internacional. Donald Trump teria recusado ambas, encerrando o diálogo.
A pressão norte-americana não ficou restrita à conversa direta. O senador republicano Markwayne Mullin afirmou que Washington sugeriu que Maduro buscasse asilo na Rússia “ou em outro país”, reforçando que a Casa Branca enxerga a saída do presidente venezuelano como única alternativa para evitar um confronto maior. As informações surgem poucos dias após Trump declarar que o espaço aéreo da Venezuela deveria ser fechado. A simples fala, sem qualquer medida oficial, levou companhias aéreas internacionais a evitarem o país, provocando um caos informacional e alimentando rumores nas redes sociais — entre eles, boatos não confirmados de que Maduro teria fugido para a Turquia ou para o Brasil.
Nas redes, a movimentação reacendeu teorias de que operações militares estariam prestes a ocorrer, numa referência a um antigo padrão observado em momentos de mobilização das forças armadas americanas. Enquanto isso, documentos obtidos pela Reuters mostram que o governo venezuelano trabalha com dois cenários caso os Estados Unidos avancem para uma intervenção militar.
O primeiro prevê uma guerrilha prolongada, com pequenas unidades espalhadas por 280 pontos estratégicos do país, prontas para executar ações de sabotagem e operar cerca de 5 mil mísseis russos já posicionados. O segundo plano envolve a criação de caos interno em Caracas, com atuação de milícias e da inteligência local para tornar o país ingovernável e dificultar qualquer tentativa de controle externo.
No momento, nenhuma ação concreta foi tomada pelos EUA, e todas as informações permanecem no campo da possibilidade. Ainda assim, a sucessão de movimentos diplomáticos, militares e informacionais indica que o ditado popular “onde há fumaça, há fogo” pode se aplicar ao caso venezuelano. O certo é que esse capítulo da tensão entre Washington e Caracas está longe de um desfecho.
