O União Brasil oficializou, nesta segunda-feira (8), a expulsão do ministro do Turismo, Celso Sabino, após meses de conflito interno provocados pela decisão do parlamentar de permanecer no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contrariando a determinação da sigla. O processo foi concluído em audiência na sede do partido, em Brasília, com participação remota do ministro. Com a saída de Sabino, o União Brasil encerra sua presença na Esplanada dos Ministérios, consumando o distanciamento iniciado em setembro.
Em nota, o partido informou que “a Comissão Executiva Nacional do União Brasil decidiu […] pela expulsão com cancelamento de filiação do deputado federal e atual ministro do Turismo, Celso Sabino”. A legenda fundamentou a decisão afirmando que o ministro cometeu infidelidade partidária ao desobedecer a orientação que determinou o desembarque de todos os filiados do governo federal.
O União Brasil também comunicou que o diretório do Pará — base política de Sabino — passará a ser comandado por uma comissão executiva interventora. O ministro reagiu duramente à medida. “Continuo acreditando que foi uma decisão injusta. Fizeram uma intervenção de cima para baixo. Uma coisa muito difícil de aceitar”, afirmou. Sobre a expulsão, Sabino declarou que foi afastado “por ajudar o Pará” e por defender “o melhor projeto para o país”, em referência à gestão Lula.
A crise entre Sabino e o União Brasil começou em setembro, quando a sigla ordenou a saída de todos seus integrantes do governo. Inicialmente, o ministro acatou a decisão e chegou a entregar uma carta de demissão. No entanto, no início de outubro, recuou e decidiu permanecer à frente do Ministério do Turismo, movimento que elevou a tensão interna e aprofundou o desgaste com a cúpula partidária.
A escolha de Sabino foi política: ele desejava continuar no cargo durante a preparação para a COP30, que será realizada em 2025 em Belém. O evento é considerado sua principal plataforma para se projetar nacionalmente e viabilizar sua candidatura ao Senado pelo Pará. Deixar o ministério antes da conferência colocaria em risco seu plano eleitoral.
Com a expulsão, Sabino deve seguir no governo Lula sem vínculo partidário — ao menos até a abertura da próxima janela de filiação. Já o União Brasil, agora sem representantes na Esplanada, reforça sua posição de independência em relação ao Palácio do Planalto.
