A crise política envolvendo o presidente municipal do PT no Recife, Osmar Ricardo, e o prefeito João Campos ganhou novos capítulos nesta segunda-feira (2). O petista acusou o gestor de perseguição política após o anúncio de que deixará a titularidade do mandato na Câmara a partir desta terça-feira (3), retornando à condição de suplente. A mudança ocorre com o retorno do secretário de Direitos Humanos e Juventude, Marco Aurélio Filho, que reassumirá a vaga no Legislativo.
A decisão acontece no mesmo dia que Osmar Ricardo assinou o pedido de abertura da CPI que investiga o chamado caso do “fura-fila”. Sua assinatura foi a 13ª necessária para garantir o encaminhamento do requerimento à Presidência da Câmara, consolidando o quórum mínimo para instalação da comissão.
Em entrevista ao Blog Dantas Barreto, Osmar subiu o tom e afirmou que sofrerá retaliação por ter exercido independência política. “Vamos fazer um movimento contra João Campos por perseguição. Ele vai sentir o trabalho e a força de quem é presidente municipal do PT e do Sindicato dos Servidores do Recife. Ele vai ver o que é uma oposição de verdade e os servidores terão uma voz”, disparou.
O vereador também relembrou que apoiou João Campos no passado, mas afirmou que hoje se sente alvo de represália. “Me libertei desse povo chamado Campos, dessa oligarquia que vai perder para o Governo do Estado e depois no Recife. Foi bom o que aconteceu para o Recife saber que João Campos é perseguidor. Eu não sou ingrato. Tudo que fiz por ele não vale? Ingrato é ele que não cuida das pessoas”, declarou.
Articulação nos bastidores
Apesar da saída momentânea da Câmara, Osmar demonstrou confiança em um retorno breve ao mandato. Ele aposta na possibilidade de a vereadora Flávia de Nadegi ser nomeada para uma secretaria estadual pela governadora Raquel Lyra. Caso isso se confirme, uma nova reconfiguração nas cadeiras do Legislativo municipal pode abrir espaço para sua volta.
“Logo estarei de volta à Câmara, caso se confirme a nomeação da vereadora Flávia de Nadegi como secretária do Estado. Se acontecer isso, serei muito grato”, afirmou.
Nos bastidores da política recifense, circula a informação de que essa movimentação teria sido parte de um acordo para viabilizar a assinatura da CPI. A articulação, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelas partes envolvidas.

