O vereador e advogado Marcelo Santa Cruz recebeu comunicado nesta segunda-feira (26) de que está sendo expulso do PT de Olinda por ter apoiado, para prefeito, a deputada federal Luciana Santos (PCdoB) e não a deputada estadual Teresa Leitão que foi a candidata do seu partido.
Ao saber do procedimento ético-disciplinar que foi instalado contra ele, o vereador enviou a seguinte carta ao diretório municipal do partido:
Sirvo-me da presente para abordar matéria íngreme e totalmente inoportuna no momento político vivenciado pelo PT e a Nação Brasileira. Nesta época natalina, o sentimento norteador deveria ser de unidade popular das forças progressistas e o espírito desarmado para a compreensão, o amor e a fraternidade com os votos de Feliz Natal e próspero Ano Novo.
Infelizmente, não é este o meu sentimento e o ano de 2016 despede-se sem deixar saudades.
Ficará marcado no calendário da história como o ano da injustiça e da intolerância política.
Pois bem, para consolidar essa minha percepção, acabo de receber intimação dando ciência de que foi instaurado pela Comissão Executiva do Partid o dos Trabalhadores de Olinda um Procedimento Ético Disciplinar, cujo desiderato é minha expulsão sumária dos quadros do Partido. Estou sendo representado na peça acusatória por haver participado de atos de campanha da candidata à Prefeita de Olinda, LUCIANA SANTOS.
Destaco que a mesma é presidente nacional do PCdoB, cuja atuação política em Olinda, na Frente Brasil Popular, e no Parlamento, é irrepreensível e de incondicional fidelidade às lutas empreendidas pelo PT em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora.
Reporto-me que, embora contrariado com a aliança eleitoral praticada em Olinda, fui convencido em uma plenária realizada no 10/08/2016, no Hotel Costeiro, com a presença do presidente do PT estadual, Bruno Ribeiro, dirigentes Dilson Peixoto e Fernando Ferro, Movimentos Sociais dos SEM TERRA E MORADIA, Pastoral da Saúde e da Juventude do Meio Popular, militantes do PT e do PCdoB, tudo às claras e transparente, de que deveria integrar a chapa proporcional de vereador na coligação “Olinda Quero Avançar”, que tinha como candidata majoritária a deputada Teresa Leitão (PT) e o vice Gilberto Sobral (PRB).
A propósito, imaginava que essa prática de perseguir e punir companheiros (as) em Comissão de Ética e Disciplina por divergências políticas havia sido sepultada com o amadurecimento do Partido dos Trabalhadores. Ledo engano.
Assim sendo, não reconheço legitimidade desse procedimento ético disciplinar, meu posicionamento ocorrerá sempre de maneira publica e transparente, fazendo em conjunto com a militância e dirigentes responsáveis desse Partido, representados pelas inúmeras manifestações de indignação e solidariedade postas na INTERNET ou
encaminhadas pessoalmente, de quem sou destinatário.
Reitero à companheira Iolanda Silva, presidente da Comissão Executiva do Diretório do Partido dos Trabalhadores de Olinda, que minha história de militância política, por mais de 50 anos, com o máximo respeito, não permite submeter-me por hipótese alguma a esse obtuso procedimento ÉTICO DISCIPLINAR instrumentalizado por quem é atribuída a responsabilidade política pela maior derrota eleitoral da história do Partido dos Trabalhadores, ocorrida no município de Olinda.
Esse documento, não obstante tratar de matéria reservada pelo sigilo do procedimento ÉTICO DISCIPLINAR, face ao assunto abordado, não é de natureza privada.
Saudações,
Marcelo Santa Cruz Oliveira.